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Mato Grosso

Soyagro vai à Justiça para reorganizar débitos após inadimplência superar R$ 100 milhões

Além da inadimplência, atualmente o Grupo tem créditos a receber em 14 processos de RJ movidos por clientes produtores rurais superior a R$ 40 milhões

Publicado em 10/08/2026 às 20:09
Atualizado em

(Foto: Reprodução)

A Justiça de Mato Grosso deferiu o pedido derecuperação judicial do Grupo Soyagro, rede de revendas de insumos agrícolas com atuação em Mato Grosso e no Pará. O pedido foi apresentado à 4ª Vara Cível de Sinop, e tem como principal objetivo preservar a operação diante do aumento da inadimplência no campo, da judicialização de recebíveis e do encarecimento do crédito bancário nos últimos anos.

 

No pedido, o grupo informa possuir R$ 115 milhões em valores a receber de clientes inadimplentes, montante superior ao endividamento bancário declarado, estimado em mais de R$ 60 milhões. Segundo a empresa, esse descasamento comprometeu o fluxo de caixa e obrigou a revenda a recorrer a linhas de crédito com juros elevados para manter a operação, comprar estoques, honrar compromissos com fornecedores e continuar abastecendo produtores rurais. Nos últimos anos, a empresa vem pagando mais de R$20 milhões anuais apenas de juros para suportar o caixa prejudicado pela inadimplência gigante.

 

A empresa também relata um fato que está se tornando comum entre empresas do agro, onde parte de seus recebíveis são dragados em outros processos de RJ. De acordo com os dados apresentados pela Soyagro, atualmente o Grupo tem créditos a receber em 14 processos de recuperação judicial movidos por clientes produtores rurais, o que representa aproximadamente R$ 40 milhões em créditos. Na prática, segundo o grupo, parte relevante dos valores vendidos permaneceu travada, enquanto os compromissos financeiros continuaram vencendo regularmente.

 

Desde 2022, o Brasil convive com uma taxa básica de juros em patamares historicamente elevados, com a Selic acima de 12% ao ano em longos períodos e chegando a 15% ao ano entre 2025 e o início de 2026. Mesmo após o início dos cortes, a taxa ainda permanecia em 14,5% ao ano em 2026, mantendo o custo financeiro em nível muito superior à rentabilidade de diversas operações rurais. Como o setor de revenda agrícola exige capital intensivo, estoques elevados e margens reduzidas, o que torna o negócio especialmente sensível à inadimplência e ao aumento dos juros.

 

Além disso, o grupo afirma que, para garantir o atendimento durante as janelas de plantio e não prejudicar nenhum fornecedor, precisou manter produtos em prateleira, mas parte desses insumos perdeu valor com a correção do mercado no pós-pandemia. As sobras de estoque chegaram a R$ 71 milhões em 2022, R$ 63 milhões em 2023 e R$ 33 milhões em 2024. Atualmente, o grupo informa manter cerca de R$ 10 milhões em produtos estocados.

 

De acordo com a empresa, a recuperação judicial foi uma medida responsável e necessária para evitar soluções individuais, proteger a continuidade das atividades e criar um ambiente organizado de negociação com credores. Adecisão busca assegurar transparência, previsibilidade e equilíbrio no tratamento das obrigações, preservando empregos, fornecedores e o atendimento aos produtores rurais. O processo de reestruturação é conduzido pelo escritório Mestre Medeiros Advogados.

 

Fundado em 2014, em Sorriso, o Grupo Soyagro iniciou suas atividades com quatro colaboradores e expandiu sua atuação para uma rede de seis lojas, com presença em municípios estratégicos do norte de Mato Grosso e no Pará. A empresa também desenvolve atividade rural iniciada em 2019, em área arrendada em Alta Floresta.

Fonte: Dialum / Assessoria de Imprensa

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